Pedra de Guaratiba

Igreja Nossa Srª do Desterro

Igreja Nossa Senhora do Desterro Endereço: Rua Barros de Alarcão - Pedra de Guaratiba - RJ
Proprietário: Mitra Episcopal
Proprietário original: Jerônimo Veloso Cubas
Construção: 1628-1629
Importância: Terceira igreja mais antiga do Rio de Janeiro
Principais reformas e restaurações: Final do século XVII, 1750, 1911, 1974 e 1989
Proteção existente: IPHAN

Cronograma de 1628 a 1773

1628 - Jerônimo Veloso Cubas e sua esposa, Beatriz Álvares (ou Alves) Gago, declaram que possuem terras em Guaratiba e que cederiam metade destas terras a pessoas que pagassem foro e arrendamento para construir uma "casa a Nossa Senhora do Desterro".

1628/1629 - Construção da Capela de Nossa Senhora do Desterro.

1629 / 27 de junho - Jerônimo Veloso Cubas e sua esposa, Beatriz, ratificam a primeira escritura de 1628, doando ao Convento do Carmo a metade de suas terras e a Capela de Nossa Senhora do Desterro.

1645 / 17 de maio - Beatriz Alves Gago e o seu segundo marido, Sebastião Mendes da Silva, ratificam a doação da metade das terras e administração da Capela de Nossa Senhora do Desterro.

1740 - Primeira reforma, promovida pelo frade Francisco Santa Maria Quintanilha.

1773 / Outubro - Miguel Rongel de Souza Coutinho, em seu próprio livro de registro dos seus títulos e escritura de sua fazenda de Guaratiba, publica a narração da Lenda de Guaratiba, que justifica a construção da Capela de Nossa Senhora do Desterro.

A Lenda de Guaratiba

Jerônimo Veloso Cubas e sua esposa, Beatriz Alves Gago, possuíam em sua companhia uma índia muito idosa, cega e doente. Certa manhã, a índia disse aos seus patrões que Nossa Senhora havia pedido que erguessem uma igreja à beira da praia, num lugar onde havia muitos craveiros. O casal, porém, não acreditou, do que resultou o caso extraordinário que os levou, como agradecimento, a doarem metade de seus bens aos Religiosos do Carmo para a construção da Capela de Nossa Senhora do Desterro em Guaratiba: Aconteceu que um dia amanheceu a índia - que era velha, cega e doente - curada de todo o mal, com a visão perfeita e forte como uma jovem. Dirigindo-se aos seus patrões, lhes disse que como eles não quiseram acreditar nem se interessaram em procurar o lugar solicitado pela Mãe de Deus, Nossa Senhora havia lhe restituído a saúde para que o seu pedido fosse atendido.

Ainda atordoados, mas convencidos, foram imediatamente para a beira da praia até que acharam o lugar indicado, com uma grande quantidade de craveiros. Entre eles, havia um com um lindo pendão com três cravos, o qual foi colocado entre as mãos da Virgem Maria. Estas flores permaneceram vivas durante os anos como na hora em que foram colhidas.

Contam que passados alguns anos, os Religiosos do Carmo quiseram mudar a capela para frente do convento onde residiam. Iniciando a obra, tudo quanto se trabalhava durante o dia, quando amanhecia o dia seguinte, se achava destruído como se tal obra não tivesse começado. Assim sendo, perceberam que Nossa Senhora não queria que sua igreja fosse mudada de lugar, onde até hoje permanece.

Cronograma de 1856 a 2013

1856 / 5 de março - Petição dos moradores de Guaratiba feita ao Conde de Irajá, Bispo Capelão-mor, sobre a criação da Irmandade de Nossa Senhora do Desterro. Neste longo requerimento, encontramos novamente a narração da aparição de Nossa Senhora em 1628 bem como outros milagres da Santa.

1856 / 6 de março - Aprovação da fundação da Irmandade de Nossa Senhora do Desterro pelo Bispo Conde Capelão-mor, encaminhando o requerimento para o Cônego Vigário Geral para examo dos respectivos estatutos.

1858 / 17 de agosto - Os frades do Convento do Carmo conseguiram, depois de algumas tentativas infrutíferas, decisão favorável no julgamento para embargar a posse da Capela de Nossa Senhora do Desterro pelos fundadores da irmandade. Assim sendo, a administração da referida Capela permaneceu com os religiosos do Convento do Carmo.

1911 - Dr. Raul Barrozo auxiliou na reforma da capela para o casamento de sua filha Hildegarda Almerinda Barrozo com Vicente Alves Ribeiro em 31/12/1911. Nesta ocasião, o marquise e a varanda da frente foram retiradas, a fachada recebeu azulejos portugueses e foi colocado forro em toda a igreja.

1915 / agosto - Visita de Joaquim Arcoverde Cavalcante de Albuquerque, Primeiro Cardeal da América Latina, em Guaratiba. Nesta ocasião celebrou missa e crisma.

1918 / 16 de março - Escritura de venda da Fazenda da Pedra (que faz a Província Carmelitana Fluminense) a Antônio Fernandes dos Santos. Ficou estabelecido: "...fica excluída da presente venda a Capela do Desterro, com toda a frente para o mar e mais dez metros de terreno para os quatro lados do edifício da capela, aludida os quais bens continuarão no interior e livre propriedade e senhorio da outorgante, como possuía até agora. O outorgado obriga-se a fazer um caminho de 12m de largura para dar livre acesso à capela, tendo este caminho sua origem na Capela e sua terminação na estrada geral.".

1938 - A igreja passa a pertencer à Mitra Episcopal.

1938 / 21 de julho - A igreja recebe a proteção do Patrimônio Histórico Nacional através do seu tombamento.

1948 / 2 de julho - Solicitação do Pe. Henrique Ramos para autorização de reparos na Capela de Nossa Senhora do Desterro e na Igreja de São Salvador do Mundo.

1974/1980/1986 - Reformas feitas pelo IPHAN.

1986 / 17 de outubro - Portaria nº 15 da Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional a fim de determinar as especificações a serem observadas para quaisquer intervenções nas áreas de entorno da Capela de Nossa Senhora do Desterro.

1989 / 6 de maio - Início da reforma feita pela própria comunidade. Várias solicitações foram feitas às autoridades, mas os fiéis, receosos da Capela não resistir às rachaduras, resolveram não esperar mais pelos órgãos competentes e organizaram um mutirão com trinta pessoas aproximadamente. No final, contaram com a orientação do IPHAN. As foram concluídas em dezembro deste mesmo ano.

1999 / 3 de julho - Visita do Cardeal D. Eugênio, que se mostrou preocupado com a situação da capela, sugerindo a solicitação de auxílio para restauração.

2002/2003 - Reforma feita pela Prefeitura: contenção e pesquisa das rachaduras e reforma do telhado.

2013 - Infelizmente a igreja está caindo aos pedaços, vandalos destroem o patrimônio histório do Rio de Janeiro.

Fonte: Pesquisa da Prof. Ana Elizabeth Vasques Leão.

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